Em janeiro do ano passado recebi um aviso de multa por falta de uso de cinto de segurança. Chegou de repente, pelo correio, um mês depois do suposto momento quando isso aconteceu.
Eu já havia sido multado três vezes antes, e paguei todas as multas por um único motivo: eu infringi o Código Nacional de Trânsito. Não havia o que recorrer pois eu estava errado. Neste caso, porém, eu não estava errado. Eu simplesmente não ando sem cinto de segurança. Chego até a pensar que tenho TOC: não me sinto seguro no carro enquanto eu não coloco o cinto de segurança, abro de novo a porta e fecho, dando uma batida pra ela fechar bem, e aperto o pininho pra trancá-la. Durante o caminho, não tiro o cinto pra nada. Se preciso pegar algo no banco de trás enquanto dirijo, eu não tiro o cinto pra fazê-lo, eu simplesmente não o faço, espero até o final da viagem ou peço para quem estiver comigo para que me ajude.
Entrei com defesa prévia. Para isso, dei uma olhada em exemplos de texto, e o certo era que eu dizer que "eu simplesmente não faço isso" não adianta nada. Então, disse que o guarda poderia ter parado meu carro pra que eu estivesse ciente da multa, etc. Após um ano e dois meses, descobri hoje, através de uma funcionária super atenciosa do DETRAN, e por atenciosa quero dizer antipática, que o meu pedido de desconsideração da multa foi indeferido, e que se eu quisesse recorrer da infração, era "só" ir ao DETRAN do Rio de Janeiro.
Na situação que nos encontramos, o que deve acontecer é que eu devo pagar essa multa. Simplesmente pelo fato de que vou precisar vender meu carro em breve. Mesmo que eu queira entrar com recurso, tenho que primeiro pagar a multa, e além disso, tenho que ir pessoalmente ao RJ ou então pagar alguém pra isso (mais dinheiro).
Mais um assalto institucionalizado o qual somos obrigados a sofrer.
Detalhe: minha pontuação no DETRAN-RJ aparece ainda como se não tivesse passado um ano desde a minha primeira multa. Só que já se passaram mais de dois anos. Liguei para o órgão e com o rapaz, que dessa vez até era simpático, tive a seguinte conversa: Pra resolver, basta o senhor comparecer na Av. Presidente Vargas - qual o telefone de lá? Eles não atendem pelo telefone, só pessoalmente. Epa, mas eu moro em Sorocaba. Ih, vai ficar difícil, então... Mas o que eu posso fazer pra resolver isso? Olha... (pausa)... creio que não vá acontecer nada, não... uma hora elas acabam saindo do sistema, não necessariamente isso acontece após um ano... mas isso é o que diz a lei, não é? É, mas não é assim na realidade... ah, entendi, o próprio governo não cumpre a lei! Obrigado pela atenção, tenha uma boa tarde.
Hey, you that have left Brazil in order to live in Canada! How are you? I hope everything is OK!
I'm writing you to give you a feel of what's going around here. If you were from Rio de Janeiro, be prepared to miss home after all this time that you've been outside the "wonderful city".
See, we have all kinds of good stuff here. We have a lot of fast-food chains. One of them offers all sorts of Middle-Eastern food. It's fantastic! And being in Brazil, you'll have a blast (no pun intended) while you're eating there.
To catch a glimpse, please click here. There are beautiful photos showing yesterday's party - and by beautiful I really mean gruesome.
I mean, come on! Who wouldn't want to live in such a Grand Theft Auto-like environment? It's always on. It's like a 24h adrenaline rush.
Gente, pra vocês terem uma idéia aonde fica esse Habib's, ele fica a três quarteirões de onde a gente estava morando há um ano atrás. Essa é a Vila da Penha, um bairro emergente da Zona Norte, com vários lançamentos imobiliários, shopping, metrô, etc.
É difícil pra eu entender quando vejo que pessoas criam filhos nessa cidade por pura opção.
UPDATE: esqueci de passar pra vocês a fonte da reportagem, que é d'O Globo. Aliás, quando até o maior jornal do país começa a perder o pudor de mostrar imagens desse tipo...
E eu fiz um esqueminha pra esconder as fotos, elas são meio fortes.
Está sendo noticiado um negócio interessante, que não tem nada a ver com o Canadá, porém, vou postar aqui porque quem pauta esse blog sou eu. :)
Deu em todos os jornais que entrou em vigor uma lei estadual aqui do Rio de Janeiro que diz que todas as multas por excesso de velocidade aplicadas no período das 22h às 6h serão desconsideradas, devido à falta de segurança nas ruas e estradas.
Pra vocês verem a que ponto chegamos: o próprio Estado reconhece e atesta que não é capaz de resolver o problema da segurança, que é de sua responsabilidade!
Neste fim de semana nós nos mudamos para o local aonde ficaremos até irmos embora: a casa da mãe da minha esposa, mais conhecida como "minha sogra".
Ficamos muito indecisos com relação a isso, afinal de contas, estávamos bastante acostumados a morarmos sozinhos, e muitos caras por aí me chamariam de louco. Porém, vimos que é a melhor escolha, pois dentre outras razões, ao invés de pagar aluguel, ampliaremos nossas reservas que deverão ser muito úteis para nos estabelecermos no nosso novo país.
Além disso, minha sogra é muito gente fina, sempre pronta a nos ajudar, e ela estava muito a fim que fôssemos pra lá, visto que daqui a algum tempo iremos ficar bem longe... unimos o útil ao agradável e pra lá nós fomos.
Com relação ao processo, absolutamente nada de novo. Um mês e meio e ninguém mais recebeu pedidos de exames médicos. Isso vem me deixando muito chateado, pois a cada dia reforçamos nosso desejo de sair daqui.
Semana passada, num caso que repercutiu por todo o Brasil, uma mãe viu seu filho de 4 anos ser assassinado por policiais militares. A mulher se viu no meio de uma perseguição policial e os guardas confundiram seu carro com o dos bandidos, disparando 17 tiros e matando a criança que estava no banco de trás.
Você, cidadão, que está dirigindo e de repente percebe que a polícia está a mil por hora atrás do seu carro, com a sirene ligada. O que um bom cidadão deve fazer? Encostar o carro e deixar a polícia passar. Foi exatamente isto que essa senhora fez. O carro da polícia, ao invés de perseguir os bandidos de verdade, encostou atrás do carro da mãe. Desceram dois guardas. A mãe gritou desesperada para o filho: "João Roberto, abaixa!". O filho perguntou, "porquê, mamãe?" Os policiais meteram dezessete balas no carro dela. Aquelas eram as últimas palavras que ela ouviria saírem da boca de seu filho.
Se isso já não fosse a gota d'água, hoje mais um caso de completa incompetência foi escancarado. Um trabalhador foi assassinado pela polícia durante um seqüestro. O rapaz, que trabalhava no InfoGlobo, dona dos maiores jornais do Rio de Janeiro, ao voltar para casa vindo da academia, foi rendido numa avenida da Zona Norte por um criminoso, que o obrigou a ficar no banco do carona. A polícia foi acionada e iniciou-se a perseguição. O delinqüente disparou tiros contra a polícia. O que ela fez? Recuou e chamou reforços? Que nada! Disparou de volta, é lógico! Ambos os ocupantes do veículo ficaram feridos. Os dois foram levados ao hospital.
Mas calma, tenha paciência. O negócio vai ficar mais interessante!
Uma equipe do SBTconseguiu filmar o momento em que o carro parou e a polícia foi lá para verificar a situação. Aparentemente, o policial simplesmente pegou o rapaz pelo pé e jogou no chão, ainda vivo, como se fosse um saco de laranjas. A cabeça do cara bateu no chão. Chutaram o braço dele, como se fosse lixo. Ao invés de chamar uma ambulância, pegaram o cara e enfiaram no carro da polícia, de qualquer jeito, e "desovaram" no hospital mais próximo.
O rapaz chegou morto.
O bandido? Foi operado e não corre risco de vida.
Confesso que ainda não vi o vídeo. Sinceramente, tenho vontade de ver, mas tenho vontade também de não ver, pois tenho a sensação que irei vomitar. Que nojo desse lugar. Nojo, ânsia de vômito, náusea.
Cidade maravilhosa. O que é uma cidade? É um alojamento permanente criado por nós, humanos, com o intuito de nos estabilizarmos em um lugar com facilidades como estradas, casas, campos, etc. Cidade é algo que criamos. O local geográfico aonde nossa cidade reside é realmente maravilhoso. A cidade, mesmo, levando-se em conta apenas o significado da palavra, ou seja, a parte que os humanos criaram, tem algo remotamente parecido com maravilhoso? Seria pelo menos uma cidade "boa"? Sequer isso. É uma cidade lamentável, destruída, podre.
O que podemos fazer senão torcer pra que permaneçamos vivos até podermos sair daqui?
Gostaria de pedir dez minutos de sua atenção para que veja este vídeo.
Independente se você gosta ou não do programa CQC, da Band, você deve ver essa reportagem que passou no programa de ontem, chamada "Teste de Honestidade".
Preste atenção no último trecho da matéria, quando uma senhora pega o celular do chão.
Parafraseando o repórter Danilo Gentili, esse caso prova porque os representantes do nosso governo são o que são: eles são apenas o reflexo do povo que os elege.
Uma das coisas que definitivamente funcionam melhor em países desenvolvidos é a troca de uma mercadoria que você comprou. Se tiver um tempinho de ler as duas histórias abaixo, com a finalidade de fazer uma comparação, divirta-se.
Estudo de caso #1 Brasil
Ontem quase tive um infarto ao tentar trocar um mouse que quebrou com uma semana de utilização. Comprei o periférico há menos de um mês, em uma loja que fica aqui no centro do Rio mas fica meio longe pra ir andando. Paguei R$ 5 pra entregarem no meu trabalho. Quando fui usar, verifiquei que a "rodinha" (scroll) do mouse era muito mais dura que o normal. Aí, parceiro, acabou a mamata: toca andar vinte minutos no sol escaldante pra chegar na Cinelândia trocar o equipamento na loja. Ah, e mais vinte pra voltar.
Fui lá no mesmo dia. Além da peregrinação pra chegar ao local, o tempo gasto pra esperar o elevador que leva à sala 1308 foi de mais uns quinze minutos. Cheguei no estabelecimento, mostrei o equipamento, ainda levei vários mouses pra que pudessem comparar e ver que o scroll realmente está com problema, deram uma olhada, pensaram um pouco, e trocaram. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ao fazer uma compra por catálogo ou internet, tenho sete dias de prazo para trocar o produto sem nenhum aborrecimento. Apesar disso, perguntei se não poderiam trocar por um mouse de outra marca, pois estava desconfiado que a marca Bright que era uma porcaria e não só aquele mouse, desconfiança que depois iria se provar útil. Não quiseram.
Trouxe o mouse novo pro trabalho, usei normalmente por mais ou menos uma semana - quero dizer, o scroll do novo mouse era melhor mas não era aquelas coisas, mas estava utilizável. De repente... clonk! A rodinha do mouse afunda. O mecanismo quebrou por dentro e o scroll agora está parado. Mais uma caminhada... deixei até pra outra semana, pra poder juntar com outras tarefas que precisava fazer praqueles lados da cidade.
Chegando lá, ontem, mostrei o equipamento mais uma vez, mas a surpresa foi que as atendentes falaram que não podem trocar o mouse pois ele está quebrado, e quando está quebrado, perde a garantia! Tentei argumentar, dizendo que, se com uma semana o mouse quebra em situação normal de uso, obviamente é um defeito de fabricação, mas sem sucesso. O pior é que a loja não quis nem receber o mouse para analisar se a quebra foi forçada ou se foi em utilização normal, como consta no termo de garantia da própria loja, que aliás, realmente, contém em sua primeira cláusula o seguinte: "a garantia é perdida caso o equipamento não esteja em perfeito estado físico", que é considerada nula devido ao Art. 51 do CDC, parágrafos I e IV, pois implica a renúncia do direito de garantia, é uma obrigação iníqua e incompatível com a boa-fé.
Uma das atendentes disse: "Ah, volta depois quando o responsável pela loja estiver aqui". Expliquei que não é possível ficar perdendo horas de almoço uma atrás da outra por um problema que não é meu. Ela teimou que não poderia receber o equipamento. Então falei que, se fosse para perder hora de trabalho ou de almoço, que iria direto na Justiça. A outra atendente simplesmente diz, com a maior desfaçatez: "Pois vá! Pode ir!" A outra atendente, mais calma, disse que o máximo que poderia fazer era ligar depois para falar com Anderson, o responsável e provavelmente dono da loja. Resolvi ir embora e falar depois com esse rapaz.
Lá pelas três da tarde, liguei para o tal Anderson. A funcionária do "show" da hora do almoço atendeu o telefone, e ao chamar o responsável, contou a história pra ele antes dele vir me atender. Percebi que ao ouvir a versão da mulher, o cara começou a discutir com ela.
Depois de um minuto, veio falar comigo. Confirmou que a loja errou ao não receber meu mouse, mas que precisaria ir lá levar o produto para análise. Peraí, a loja errou e eu continuo me ferrando? Falei que já havia ido lá e que se a loja não recebeu, ela é que deve vir buscar agora. Ele reclamou que não "tem como". Falou que a loja errou, pediu "mil desculpas" mas não tem como. Ué, se eu paguei cinco reais pro motoqueiro entregar o produto aqui, ele não pode pagar cinco reais pro motoqueiro vir buscar? Cinco reais agora é tanto assim? Depois de discutir por algum tempo eu falei exatamente isso pra ele e ele respondeu: "não, não posso pagar cinco reais, às vezes pode ser muito pra mim". De pronto, respondi: "Pois se eu for na Justiça vai ficar bem mais caro que cinco reais, e eu vou, pois a loja se recusou a efetuar troca que é um direito básico do consumidor". Ele respondeu que estava se propondo a trocar, agora. Só agora? A loja já errou. Não tem mais "agora", respondi.
Nesse momento então ele propôs: "Então vamos encerrar o caso, você não iria vir pra cá uma vez para entregar o mouse para análise e outra vez para vir buscar? Então venha aqui que eu troco o seu mouse na hora". Respondi que não confiava mais nessa marca e não queria um mouse igual. Ele, então, se rendeu: "então venha cá que eu devolvo o seu dinheiro. Está bom assim?"
Hoje eu vou lá sem a certeza que vou resolver o problema.
UPDATE: devolveram o dinheiro. A funcionária, que antes estava toda confiante, esbravejando para que eu fosse na Justiça, não olhou nem na minha cara para me entregar as notas.
Tempo gasto: 288:00:00 (12 dias)
Estudo de caso #2 Estados Unidos
Em 2004, minha esposa comprou uma chapinha no hipermercado Target, em uma cidadezinha da Flórida, lá pelas dez da manhã de um dia de novembro. Voltamos para a casa aonde ficamos hospedados e ela quis usar a sua nova traquitana. Abriu a embalagem de plástico com uma tesoura (era daquelas embalagens impossíveis de se abrir com a mão), colocou na tomada, passou no cabelo. Funcionava direitinho. Porém, ela achou que a maneira de se segurar a chapinha era meio "estranha", se é que isso é possível, hehe. Ao meio-dia, mais ou menos, voltamos ao estabelecimento, trazendo a nota fiscal, a embalagem rasgada e o equipamento. O diálogo foi mais ou menos esse:
- Hi, I'd like my money back, please, I'm not satisfied with this product. - Oh, you didn't like it? OK, just a second.
Em 20 segundos, estava no balcão, à nossa disposição, o exato valor em dólares do produto devolvido.
Tempo gasto: 2:00:00
Resumindo...
Qualidade de vida vai muito além do fato de andar na rua tranqüilo, sem se preocupar com violência, passando por lugares limpos e organizados. A injustiça atual nos ataca até quando estamos sentados, no trabalho, ao telefone, nos deixando sujeitos até a problemas sérios de saúde causados por palpitação, ansiedade, dor de cabeça, e por assim em diante.
Bem, pra quem não sabe, a saúde no Canadá é pública. Quero dizer, só pública. Por isso, muita gente tem dúvidas com relação à eficácia desse sistema, e realmente não deve ser um sonho. Porém, se é que é possível, vamos comparar com a saúde pública no Brasil:
"A falta de equipamentos adequados tem levado neurocirurgiões de hospitais públicos a utilizarem furadeiras de marcenaria para abrir a cabeça de pacientes durante operações, procedimento que deixou de ser feito na rede particular há quase meio século. Brocas descartáveis também são reutilizadas, aumentando os riscos de lesões no cérebro. [...]
Acho que, pior que isso, não dá pra ser!
Além do quê, como até comentei num blog, mesmo a saúde particular no Brasil é deprimente. Esse mês, mesmo, paguei uma consulta avulsa, além do meu plano de saúde, simplesmente porque, sendo pelo plano, os médicos atendem que nem o nariz deles, já que as seguradoras pagam praticamente "gorjetas" pelas consultas. Ou seja, pago meus impostos pra sustentar a saúde pública, pago plano de saúde todo mês, e ainda sou obrigado a pagar consultas por fora! Cobrado TRÊS vezes pra usar uma!