13 de nov. de 2008 20:34 - :: ultranol ::
Change has come to the world
(post uma semana atrasado)Os americanos fizeram um grande favor ao mundo colocando um ponto final definitivo na Era Bush. Não satisfeito com uma guerra inútil e estúpida que só trouxe aumento excessivo de gastos, a morte em vão de milhares de soldados e lucros obscenos para alguns oportunistas, no segundo mandato Bush resolveu afundar a economia do globo, ao desprezar solenemente alertas de todos os especialistas de que o sistema de crédito dos maiores bancos do país (e consequentemente do mundo) estava à beira do abismo. Sim, se no primeiro mandato Bush tentou destruir os Estados Unidos, no segundo mandato tentou destruir o planeta. Não sou americano, não tenho planos de morar nos EUA, porém tenho parentes lá e tenho certeza que esse tipo de eleição afeta todos nós, ainda mais essa eleição. Acompanhei bem de perto toda a campanha, desde as primárias, empolgado com o fato de existirem duas opções inovadoras: uma mulher e um negro. Desde o início o Obama me chamou a atenção por fazer uma campanha limpa, baseada em propostas, sem apelar para o medo irracional ou para a chacota, ao contrário da Hillary (comercial do telefone tocando na Casa Branca às três da manhã), ou como o McCain (Obama "anda com terroristas", é um comunista, muçulmano, etc). Quando fui aos EUA, em agosto e setembro, acompanhei pela TV os discursos de McCain e Obama ao vivo. Aqui no Brasil, pude acompanhar os três debates pelo canal internacional da CNN. No dia 4 de novembro fiquei colado na TV. Mais ou menos às 1h30 da manhã, quando foi anunciado que Obama levou Ohio, fiz as contas e concluí que ele estava eleito. Descrente, dizia: "Cara, eu não acredito! O Obama foi eleito!" Americanos, vocês têm noção de que a imagem que o mundo tem de vocês foi praticamente limpa com essa eleição? Qual foi a última vez que vocês viram bandeiras dos EUA nas mãos de estrangeiros sem estarem pegando fogo? Cara, que lição de democracia. Parabéns para vocês. UPDATE: recebi um comentário de alguém que está muito a fim de debater comigo essa coisa toda de Obama, Bush, etc. Porém, vou me poupar disso, visto que: a) o objetivo deste blog não é esse; b) a pessoa não irá me fazer mudar de ponto de vista; c) eu não irei fazer a pessoa mudar o seu ponto de vista. É até bom pra ela que não discutamos, já que ela vai ter um belo trabalho se quiser comentar em todos os blogs que estavam torcendo pro Obama... Além do mais, ficar discutindo pela Internet é um pouco que nem participar das Paraolimpíadas: por mais que a gente ganhe, a gente continua sendo retardado... Marcadores: Estados Unidos
20 de mar. de 2008 11:52 - :: ultranol ::
Garantia de um ano
Uma das coisas que definitivamente funcionam melhor em países desenvolvidos é a troca de uma mercadoria que você comprou. Se tiver um tempinho de ler as duas histórias abaixo, com a finalidade de fazer uma comparação, divirta-se. Estudo de caso #1 Brasil  Ontem quase tive um infarto ao tentar trocar um mouse que quebrou com uma semana de utilização. Comprei o periférico há menos de um mês, em uma loja que fica aqui no centro do Rio mas fica meio longe pra ir andando. Paguei R$ 5 pra entregarem no meu trabalho. Quando fui usar, verifiquei que a "rodinha" (scroll) do mouse era muito mais dura que o normal. Aí, parceiro, acabou a mamata: toca andar vinte minutos no sol escaldante pra chegar na Cinelândia trocar o equipamento na loja. Ah, e mais vinte pra voltar. Fui lá no mesmo dia. Além da peregrinação pra chegar ao local, o tempo gasto pra esperar o elevador que leva à sala 1308 foi de mais uns quinze minutos. Cheguei no estabelecimento, mostrei o equipamento, ainda levei vários mouses pra que pudessem comparar e ver que o scroll realmente está com problema, deram uma olhada, pensaram um pouco, e trocaram. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ao fazer uma compra por catálogo ou internet, tenho sete dias de prazo para trocar o produto sem nenhum aborrecimento. Apesar disso, perguntei se não poderiam trocar por um mouse de outra marca, pois estava desconfiado que a marca Bright que era uma porcaria e não só aquele mouse, desconfiança que depois iria se provar útil. Não quiseram. Trouxe o mouse novo pro trabalho, usei normalmente por mais ou menos uma semana - quero dizer, o scroll do novo mouse era melhor mas não era aquelas coisas, mas estava utilizável. De repente... clonk! A rodinha do mouse afunda. O mecanismo quebrou por dentro e o scroll agora está parado. Mais uma caminhada... deixei até pra outra semana, pra poder juntar com outras tarefas que precisava fazer praqueles lados da cidade. Chegando lá, ontem, mostrei o equipamento mais uma vez, mas a surpresa foi que as atendentes falaram que não podem trocar o mouse pois ele está quebrado, e quando está quebrado, perde a garantia! Tentei argumentar, dizendo que, se com uma semana o mouse quebra em situação normal de uso, obviamente é um defeito de fabricação, mas sem sucesso. O pior é que a loja não quis nem receber o mouse para analisar se a quebra foi forçada ou se foi em utilização normal, como consta no termo de garantia da própria loja, que aliás, realmente, contém em sua primeira cláusula o seguinte: "a garantia é perdida caso o equipamento não esteja em perfeito estado físico", que é considerada nula devido ao Art. 51 do CDC, parágrafos I e IV, pois implica a renúncia do direito de garantia, é uma obrigação iníqua e incompatível com a boa-fé. Uma das atendentes disse: "Ah, volta depois quando o responsável pela loja estiver aqui". Expliquei que não é possível ficar perdendo horas de almoço uma atrás da outra por um problema que não é meu. Ela teimou que não poderia receber o equipamento. Então falei que, se fosse para perder hora de trabalho ou de almoço, que iria direto na Justiça. A outra atendente simplesmente diz, com a maior desfaçatez: "Pois vá! Pode ir!" A outra atendente, mais calma, disse que o máximo que poderia fazer era ligar depois para falar com Anderson, o responsável e provavelmente dono da loja. Resolvi ir embora e falar depois com esse rapaz. Lá pelas três da tarde, liguei para o tal Anderson. A funcionária do "show" da hora do almoço atendeu o telefone, e ao chamar o responsável, contou a história pra ele antes dele vir me atender. Percebi que ao ouvir a versão da mulher, o cara começou a discutir com ela. Depois de um minuto, veio falar comigo. Confirmou que a loja errou ao não receber meu mouse, mas que precisaria ir lá levar o produto para análise. Peraí, a loja errou e eu continuo me ferrando? Falei que já havia ido lá e que se a loja não recebeu, ela é que deve vir buscar agora. Ele reclamou que não "tem como". Falou que a loja errou, pediu "mil desculpas" mas não tem como. Ué, se eu paguei cinco reais pro motoqueiro entregar o produto aqui, ele não pode pagar cinco reais pro motoqueiro vir buscar? Cinco reais agora é tanto assim? Depois de discutir por algum tempo eu falei exatamente isso pra ele e ele respondeu: "não, não posso pagar cinco reais, às vezes pode ser muito pra mim". De pronto, respondi: "Pois se eu for na Justiça vai ficar bem mais caro que cinco reais, e eu vou, pois a loja se recusou a efetuar troca que é um direito básico do consumidor". Ele respondeu que estava se propondo a trocar, agora. Só agora? A loja já errou. Não tem mais "agora", respondi. Nesse momento então ele propôs: "Então vamos encerrar o caso, você não iria vir pra cá uma vez para entregar o mouse para análise e outra vez para vir buscar? Então venha aqui que eu troco o seu mouse na hora". Respondi que não confiava mais nessa marca e não queria um mouse igual. Ele, então, se rendeu: "então venha cá que eu devolvo o seu dinheiro. Está bom assim?" Hoje eu vou lá sem a certeza que vou resolver o problema. UPDATE: devolveram o dinheiro. A funcionária, que antes estava toda confiante, esbravejando para que eu fosse na Justiça, não olhou nem na minha cara para me entregar as notas. Tempo gasto: 288:00:00 (12 dias) Estudo de caso #2 Estados Unidos  Em 2004, minha esposa comprou uma chapinha no hipermercado Target, em uma cidadezinha da Flórida, lá pelas dez da manhã de um dia de novembro. Voltamos para a casa aonde ficamos hospedados e ela quis usar a sua nova traquitana. Abriu a embalagem de plástico com uma tesoura (era daquelas embalagens impossíveis de se abrir com a mão), colocou na tomada, passou no cabelo. Funcionava direitinho. Porém, ela achou que a maneira de se segurar a chapinha era meio "estranha", se é que isso é possível, hehe. Ao meio-dia, mais ou menos, voltamos ao estabelecimento, trazendo a nota fiscal, a embalagem rasgada e o equipamento. O diálogo foi mais ou menos esse: - Hi, I'd like my money back, please, I'm not satisfied with this product. - Oh, you didn't like it? OK, just a second. Em 20 segundos, estava no balcão, à nossa disposição, o exato valor em dólares do produto devolvido. Tempo gasto: 2:00:00 Resumindo... Qualidade de vida vai muito além do fato de andar na rua tranqüilo, sem se preocupar com violência, passando por lugares limpos e organizados. A injustiça atual nos ataca até quando estamos sentados, no trabalho, ao telefone, nos deixando sujeitos até a problemas sérios de saúde causados por palpitação, ansiedade, dor de cabeça, e por assim em diante. Marcadores: Brasil, Cotidiano, Estados Unidos
24 de nov. de 2007 14:57 - :: ultranol ::
Novidades...
Boa tarde a todos! Quase um mês sem atualizar... posso adiantar que não é falta de interesse. Em primeiro lugar, da parte do Canadá, nada de novo, estamos só acompanhando o "timeline" das cartas de solicitação de documentos das outras pessoas, e parece que o pessoal que deu início ao processo em abril/maio já está recebendo agora - ou seja, 6 a 7 meses pra chegar a carta. A nossa deve chegar em fevereiro ou março, se essas proporções se mantiverem. Em segundo lugar, o meu emprego está ficando cada vez mais estressante, o que por um lado é ruim pois, com internet, a gente acaba resolvendo várias coisas durante o horário de trabalho, ligando pra lugares, procurando informações... e agora não tá dando tempo nem de abrir o UOL pra ver as notícias, hehehe. O lado bom é que era isso que eu queria, ficar com banco de dados no sangue pra quando precisar fazer entrevistas de emprego lá em terras canadenses, me preocupar apenas em "como traduzir isso pro inglês", e não "o quê é que eu vou traduzir pro inglês?". Semana passada nós vimos um filme bastante interessante e pertinente a um tema recorrente desse blog, o sistema de saúde canadense. O filme é Sicko, do cineasta Michael Moore. Neste documentário, Moore ataca o sistema de saúde dos EUA, que é totalmente particular. Devido aos preços exorbitantes dos procedimentos médicos, as pessoas se tornam reféns dos planos de saúde, que, de acordo com o filme, privilegiam o bem-estar financeiro das próprias empresas em detrimento às necessidades dos segurados - que eu imagino que seja mais ou menos como aqui no Brasil.  Ele descreve diversas situações macabras de pessoas que foram deixadas na mão pelas grandes seguradoras, inclusive pessoas que morreram devido a procedimentos cirúrgicos altamente necessários não terem sido feitos a tempo, com a justificativa dada pelas empresas de que as operações eram "experimentais" e que não existiam provas científicas que as intervenções médicas iriam resolver a situação. Moore bate forte na tecla da saúde socializada, ou seja, subsidiada pelo governo, idéia que não é facilmente aceita pela população americana e causa pânico aos políticos da Casa Branca (que obviamente devem ser bastante paparicados pelos grandes planos de saúde). Para comparar as situações, ele utiliza exemplos de outros países: Reino Unido, França, Cuba, e é claro, o Canadá, aonde o sistema de saúde, como sabemos, é bem diferente dos Estados Unidos: quase totalmente pago pelo governo. Os políticos americanos usam a seguinte frase para rebater a idéia da saúde socializada: "Se você acha que a saúde paga pelo governo é boa, pergunte a um canadense". Moore então fez exatamente isso, indo a postos de saúde e perguntando se as pessoas são bem atendidas, quanto tempo elas esperam na fila, perguntando "quanto custa tal procedimento" e sendo respondido com gargalhadas, etc. Aparentemente, nenhum canadense gostaria de mudar a situação da saúde do país. Ele também exemplifica com um caso de uma americana que precisou cruzar a borda para se curar de uma doença que não era coberta pelo seu plano de saúde dos States, entre outros casos.  É lógico que a situação é deturpada, pois se levarmos em conta só o que o Michael Moore fala, ninguém ia querer morar nos EUA e ninguém morreria devido a problemas nos sistemas de saúde do Canadá, Inglaterra, França... é óbvio que todo sistema de saúde tem falhas. O que me deixa contente é que fico ciente de que, de qualquer maneira, estaremos melhores do que aqui, pois mesmo que existam problemas no sistema canadense, não estaremos muito longes dos EUA, que é basicamente como aqui no Brasil - dependemos exclusivamente do plano de saúde (aqui até temos saúde paga pelo governo, mas é só olhar pro post aí de baixo pra lembrar como que ela é). Enfim, como qualquer filme do Michael Moore, é uma boa dica de diversão, e pra quem pensa em ir pro Canadá, já mostra algumas coisas interessantes de lá. Marcadores: Canadá, Estados Unidos
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